domingo, 25 de outubro de 2009

Pacaembu

Corinthians perdeu do Cruzeiro. 1 a 0. Gol bobinho da Raposa. Nada de especial até aí. O que torna essa partida diferente é que eu estava lá. Minha primeira vez vendo jogo no estádio. Foi um dia cheio de dificuldades, mas eu tinha comprado o ingresso no Canindé e sacrificaria quase qualquer coisa, incluindo a carteira de motorista do meu pai, pra assistir esse jogo. Não foi clássico, não foi decisão, mas foi muito louco.

O cover de Iron Maiden emplacou, enfim. Não tínhamos arrumado baterista e isso deixou as coisas incertas. Os ensaios da banda são de domingo. Mas sem drummer, não ia rolar. Então, depois de escolher um jogo que não fosse nem muito importante, nem muito varzeado, comprei a entrada. Às 18h30 teria que estar no Pacaembu. O problema é que nesse meio tempo, arranjamos o batera. Um bom, por sinal. Logo, meu fim de semana ficou bem apertado.

Não queria desmarcar com a banda. Então resolvi fazer as duas coisas. Iria no ensaio e depois no estádio. Simples? Nem tanto. O estúdio é na Móoca, zona leste. O Pacaembu é na puta que pariu, zona oeste. Terminei o ensaio às pressas e entrei no carro de meu estimado velho pra pegar carona até o metrô. Homem bondoso que é, não quis me largar sem lenço e sem documento numa estação qualquer e me levou até o Paulo Machado de Carvalho, onde depois de pastar um pouco encontrei meu amigo corinthiano. Conseguimos entrar depois de passar por vendedores de camisetas falsificadas, churrasco miau, cerveja superfaturada e revista dos coxinhas.

Lá dentro, depois de dar uma mijada, me deparei com a maior multidão da minha vida. Cerca de 25 mil pessoas. 99% delas, corinthianas. Fui pelejando, pelejando e consegui ficar no meio da Gaviões da Fiel. Emocionante. Mesmo com a atuação morninha do time, a torcida não se calava. O Corinthians chegou a fazer um gol, que foi anulado pelo juiz. Nem é preciso dizer que os ouvidos da mãe do dito cujo ficaram quentes. Aprendi uns 8 gritos diferentes. Durante toda a partida a Fiel empurrou o Timão. Cada lance na área do Cruzeiro levava os alvinegros a ovacionar o time de maneira fanática. Nem mesmo o gol dos azuis fez a maior organizada do país diminuir o ritmo.

Eu não sei o que acontece, mas acho que atraio maconha. Todo mundo já viu ou ficou perto de um desses seres fascinantes que acendem um baseado em multidões. Mas no meu caso, é sempre o infeliz do lado ou da frente. Foi assim na Virada Cultural. Não foi diferente no Pacaembu. Sem aquele papo hipócrita de "sou careta, drogas bah". Mas no meio de um povaréu é tenso ter que lidar com o cheiro de merda. O garoto passou o primeiro tempo inteiro enrolando o bag com precisão cirúrgica. Acendeu no intervalo. E espalhou o embriagante odor na atmosfera carregada do estádio. Na verdade, suponho que não possa reclamar, já que a fumaça do meu cigarro também deve ser um saco pra quem não fuma. =/

O segundo tempo foi repleto de oportunidades de gol. Todas devidamente disperdiçadas. Fiz minha parte. Não parei de berrar um minuto. Mas o fato é que os jogadores tão pouco se fodendo e não vão disputar com vontade um campeonato que não mais oferece chances de título. Mas adorei a experiência. Não tava no estádio pra ver Ronaldo. Até porque, na arquibancada a visão não é das mais privilegiadas. Passei todo esse perrengue pra sentir a vibração de uma torcida que nunca pára de lutar. Tenho orgulho de fazer parte desse bando de loucos. E nem ligo se você acha piegas. No final, foi um dia perdido pro Corinthians, mas um dia ganho pra mim. ;)

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Bandas cover... de si mesmas (Parte 2)

Prometi a muito tempo que ia escrever mais partes do post sobre bandas que não mudam o som há décadas. E cumprirei. Porque um homem sem palavra é pior que emprego de estagiário. u.u

Iron Maiden - Verdade seja dita, os ingleses do Iron inovaram duas vezes na carreira. Uma quando resolveram chutar o Paul Di Anno, primeiro e beberrão vocalista pra botar Bruce Dickinson e seu ego. A outra foi quando colocaram o Blaze Bailey no microfone, mas essa não vale a pena comentar. O baixista Steve Harris controla tudo com mão-de-ferro, já que foi o fundador do grupo, junto com aquele sem vergonha do Dave Murray. Os caras têm mérito por popularizarem o heavy metal, afinal fãs de Maiden são quase tão numerosos quanto a torcida do Corinthians.

Bases cavalgadas, solos cheios de ligados turbinados por compressores poderosos, licks no modo lídio e eólio, vocais agudos e melódicos, refrões grudentos, temas harmonizados. Tudo isso caracteriza o som da Dama de Ferro, o principal representante da New Wave Of British Heavy Metal, que também ganhou muita fama com o genial Judas Priest. Há cerca de 20 anos as canções tem a mesma estrutura, o que não diminui de forma alguma sua qualidade. Up the irons! (clichê de merda)

Álbuns obrigatórios: Iron Maiden, The Number Of The Beast, Piece Of Mind, Powerslave, Somewhere In Time, Fear Of The Dark.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Led Slay


Apesar da chacina que o Twitter promoveu, resolvi ressuscitar meu blog. Faz uns 3 meses que não posto nada e aconteceu coisa pra caralho. Aceitei o emprego de estagiário no Industrial. Tédio é foda, sabe como é. Ganhar uma merreca e trabalhar que nem um burro de carga. Mas ainda me parece melhor do que ficar coçando em casa. Enfim, nada melhor pra recuperar o tempo perdido do que ignorá-lo. Então só escreverei sobre meu último sábado mesmo.

Precisava de um evento pra comemorar o novo trampo e aproveitar minha última semana de folga. Surgiu esse rolê maroto na reformada Led Slay. Covers de Led Zeppelin, Rainbow, Aerosmith, WASP e Deep Purple, entre outros. Como sempre, atrasou horas e começou com um tributo medíocre. Nesse caso foi ao Hammerfall. Não que o original seja maravilhoso, mas a banda em questão não tinha baixo. E isso é um pouco demais.

Depois de alguns minutos sofrendo com a bateria descompassada e o vocal irritante, fui tomar um ar na área descoberta. Fumei um cigarro e comprei uma cerveja, já que o open bar prometido só começava meia-noite. No panfleto diziam que ia ter churrasco, mas era mentira. Não ouvi nenhum gato gemendo nos fundos e tampouco vi qualquer rango grátis. Mas mesmo assim tava curtindo.

Voltei lá pra dentro e o WASP já tinha começado. Pra quem agüentou aquele pastiche de metal melódico no início, a ruindade desses foi fichinha. Até que foram competentes em algumas músicas, verdade seja dita. Mas não foi o suficiente pra empolgar. As músicas que o DJ tocava entre um cover e outro faziam mais sucesso. "Heaven And Hell", "Seasons In The Abyss", "Mouth For War". O povo agitava.

Já tinha gastado uma boa grana em cerveja, fumado mais cigarros e a porra do open bar não começava. Menos frustrante do que o fato de nenhuma banda de verdade ter entrado no palco até o momento. Fiz uma visita ao banheiro e encontrei camaradas vomitando as tripas, uma privada com presentes tão assustadores quanto os monstros do Silent Hill, água ou o que quer que seja inundando o chão e um atordoante cheiro de solvente. Claro, não esperava menos de um bar de metal. =P

Quando voltei, o Rainbow estava começando. Aí a noite começou a esquentar de verdade. Atuação exemplar da banda, com execuções perfeitas. De uma hora pra outra a pista encheu, provavelmente por ser a primeira apresentação de qualidade testemunhada pelo público no dia. Clássicos como "Man On The Silver Mountain", "Kill The King", "Stargazer" e "Long Live Rock N' Roll" tornaram a experiência mais excitante do que as duas garotas se beijando em frente ao palco. OK, talvez não mais excitante, mas foi bem legal.

Apesar de decepcionado por não ter ouvido "Gates Of Babylon", já estava bem mais animado e afim de mais cervejas. "A essa hora o open bar já deve ter começado", pensei. De fato, já tava rolando solto o lance do álcool grátis. O problema é que metade do povo pensou a mesma coisa e uma fila gigante para abastecimento de breja se estabeleceu. E como esperar em fila é pior do que as piadas do Zorra Total, resolvi fumar outro cigarro e voltar pra ouvir mais música ao vivo.

Foi a melhor idéia da noite, pois tava rolando o show do Four Sticks, Led Zeppelin cover. Disparado o mais foda da noite. Só 3 caras na banda. Um entusiasmo emocionante. Presença de palco perfeita. Não sou muito de pular e cantar junto, mas dessa vez me rendi. Rolou até "Moby Dick", com um solo destruidor do batera. Claro que um grupo de lesados tentou começar um bate-cabeça, mas ninguém deu a mínima. Fecharam o set com "Whole Lotta Love".

Após o ótimo show, voltei pra ver se a fila tinha diminuído. Não só ela continuava lá, como estava dez vezes maior. Circulei um pouco, matei mais uns cigarros e resolvi encarar a fila. 5 minutos depois os cuzões disseram que a bebida grátis tinha acabado. Embora continuasse disponível para venda. Não esperei muito pelo goró, mas ainda assim me senti ludibriado. A vingança minha e de todos veio quando a garota que tomava conta do bar virou as costas. Ocupada atendendo um cliente pagante, nem percebeu quando um dos caras da fila esticou o braço e pegou uma garrafa de uísque. Simples assim. Sem gastar um tostão. O esperto ainda ficou lá mais um tempo só pra rir da cara da tonta sem que ela soubesse o motivo. XD

Quando voltei pra dentro, a banda da vez era o Pearl Jam Cover. Aí a noite miou. Comecei a ficar com sono e a pensar no concurso que teria de prestar no dia seguinte, as 8h30 da manhã. Olhei para o relógio e vi que já passava das 3h da madruga. Depois de muito esforço, achei umas mesinhas sem vergonha e sentei lá com os amigos. O lance Seattle não era o que eu tava precisando. Estava exausto e não mais suportava aquele cópia cagada do Eddie Vedder no palco, ao lado. Quando o tributo ao Deep Purple entrou já estava afim de ir embora.

A volta pra casa foi cheia de bocejos. Quando finalmente cheguei faltavam 3 horas para o concurso. Cochilei um pouco e fui. Não parava de pescar na prova, mas consegui terminar e talvez nem tenha ido tão mal. Um belo fim de semana, afinal... ;)

domingo, 19 de julho de 2009

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Cara... o Twitter matou os blogs... =O

terça-feira, 14 de julho de 2009

Bandas cover... de si mesmas (Parte 1)

Férias! Enfim, julho chegou. Não faz a mínima diferença pra mim, já que não faço nada o resto do ano mesmo. Mas vale a pena comentar. Só pra não passar em branco. A falta do que fazer aumenta a freqüência com que posto aqui. Hoje resolvi escrever sobre bandas que fazem a mesma coisa há uns 30 anos.

AC/DC - Uma das mais famosas representantes desse grupo que não mexe em time que está ganhando. Os caras formaram a banda na Austrália, estão na ativa até hoje, mas as músicas soam exatamente do mesmo jeito que soavam na década de 70, quando começaram. O nome do grupo é uma sigla que significa Alternate Current/Direct Current, uma espécie de 110v/220v antigo ou coisa assim. Angus Young e Malcolm Young (guitarrista-solo e base, respectivmente) são os principais integrantes. Passaram por uma barra quando o vocalista Bon Scott morreu. Mas o luto não durou muito tempo. Logo recrutaram Brian Johnson, que tinha uma voz tão tosca quanto Scott. Gravaram o fodástico "Back In Black" e deram a volta por cima. Hoje, quando você os vê tocando, pode pensar que a ala geriátrica enlouqueceu. A energia dos velhotes não é pra qualquer um. Mas Bon Scott era melhor...

Álbuns obrigatórios: High Voltage, Dirty Deeds Done Dirt Cheap, Highway To Hell, Back In Black, For Those About To Rock.

Motörhead - A banda foi formada por Lemmy Kilmister, um ex-roadie de Jimi Hendrix há... bem, muito tempo atrás. Uma característica marcante do som dos caras é o fato de ser bem porco. Um meio termo entre Heavy Metal e Punk. Apesar disso, eles mesmos se rotulam apenas um grupo de Rock 'n Roll. A voz de Kilmister é rouca e inconfundível. Contudo, suas habilidades no baixo são medíocres. Os guitarristas foram muitos e todos tocavam exatamente do mesmo jeito. O nome da banda é uma gíria para designar usuários de metanfetamina. Como Lemmy ainda está vivo, apesar do número absurdo de drogas e uísque consumido é um mistério comparado ao da longevidade de Ozzy e Keith Richards.

Álbuns obrigatórios: Motörhead, Inferno, Ace Of Spades, Overkill.

Cansei de escrever, mais bandas no próximo post. ;)

quinta-feira, 9 de julho de 2009

A Mulher Invisível

Selton Mello é um dos maiores artistas do país. Claro que isso não é nenhum atestado de qualidade, já que vivemos no Brasil. Mas no caso dele, a coisa é séria. Dono de um inacreditável talento pra atuar, o cara leva no currículo obras-primas do calibre de "O Cheiro do Ralo", "Caramuru" e "Lavoura Arcaica". Além de ter se aventurado na direção, com o recente "Feliz Natal"

Esse ano, o ator lança 3 filmes praticamente ao mesmo tempo. O primeiro, "Jean Charles", é sobre o brasileiro que foi tentar a vida na Inglaterra e morreu baleado por autoridades britânicas, que pensaram se tratar de um terrorista. O segundo é "A Erva do Rato", baseado em contos de Machado de Assis e conta com participação da deliciosa Alessandra Negrini. O terceiro, com atuação de Luana Piovani, chama-se "A Mulher Invisível" e é o assunto deste post.

No filme, Selton interpreta um loser de nome Pedro, que é controlador de tráfego e um frouxo de carteirinha. Por ser demasiadamente cuidadoso, gentil e pé no saco, sua mulher vai procurar características mais interessantes em um alemão, do qual acaba engravidando. Ela assume o caso e o abandona. Isso desencadeia uma série de eventos que o levam a ficar deprimido e desistir de vez das mulheres e dos banhos diários.

Até que conhece Amanda (Luana Piovani). Os dois iniciam um relacionamento e um monte de situações engraçadas acontecem, porque a garota não existe, é fruto da imaginação do personagem principal. A verdade é que o resto do elenco é totalmente dispensável. Mas para o entendimento da resenha, vou citá-los. Vladimir Brichta faz o melhor amigo de Pedro. Também é loser e controlador de tráfego. Maria Manoella atua como Vitória, vizinha do protagonista, que quer desesperadamente fazer sexo com o mesmo e é incentivada por sua irmã, interpretada pela ótima Fernanda Torres.

O fato é que essa produção se enquadra naquela classe de comédias nacionais bunda, ávidas por pegar carona no sucesso de "Se Eu Fosse Você". O filme teria tudo pra ser um lixo completo, apesar da premissa interessante. Só que estamos falando de Selton Mello. E creia, ele salva o filme. Mesmo assim, esperava mais.

Mas enfim, assista. A Luana Piovani quase fica nua... =P

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Michael está morto, mas... e daí?


Michael Jackson morreu e a população terrestre está de luto. Até aí tudo bem, exceto pelo fato de que há uma semana atrás o homem era a maior aberração do mundo moderno. Afinal, ele tinha uma mórbida atração por criancinhas, mudou a cor da pele em circunstâncias misteriosas, balançou o filho da janela de um hotel e destruiu o próprio nariz com cirurgias desnecessárias.

Ou seja, ontem o cara era um monstro decadente, do qual as pessoas se lembravam somente para fazer piadinhas e hoje, ele é o maior artista do século. Engraçado como as opiniões mudam de uma hora para a outra. Porque, sério, o que eu vi de gente dizendo estar triste e revelando ser grande fã do cantor, apesar de nunca ter mencionado isso antes, não foi brincadeira.

É por isso que não dá pra confiar no gosto das massas, se é que alguém ainda não sabia disso. Não é porque High School Musical, os emos, o funk carioca e os livros de Paulo Coelho caíram nas graças de uma enorme parcela da multidão que eles são realmente providos de algum resquício de talento.

Não sou fã de Michael Jackson, apesar de reconhecer sua importância no mundo da música. Acho que artistas muito melhores morreram antes e ninguém fez esse escarcéu todo. Mas esse sou apenas eu... ;)