Corinthians perdeu do Cruzeiro. 1 a 0. Gol bobinho da Raposa. Nada de especial até aí. O que torna essa partida diferente é que eu estava lá. Minha primeira vez vendo jogo no estádio. Foi um dia cheio de dificuldades, mas eu tinha comprado o ingresso no Canindé e sacrificaria quase qualquer coisa, incluindo a carteira de motorista do meu pai, pra assistir esse jogo. Não foi clássico, não foi decisão, mas foi muito louco.O cover de Iron Maiden emplacou, enfim. Não tínhamos arrumado baterista e isso deixou as coisas incertas. Os ensaios da banda são de domingo. Mas sem drummer, não ia rolar. Então, depois de escolher um jogo que não fosse nem muito importante, nem muito varzeado, comprei a entrada. Às 18h30 teria que estar no Pacaembu. O problema é que nesse meio tempo, arranjamos o batera. Um bom, por sinal. Logo, meu fim de semana ficou bem apertado.
Não queria desmarcar com a banda. Então resolvi fazer as duas coisas. Iria no ensaio e depois no estádio. Simples? Nem tanto. O estúdio é na Móoca, zona leste. O Pacaembu é na puta que pariu, zona oeste. Terminei o ensaio às pressas e entrei no carro de meu estimado velho pra pegar carona até o metrô. Homem bondoso que é, não quis me largar sem lenço e sem documento numa estação qualquer e me levou até o Paulo Machado de Carvalho, onde depois de pastar um pouco encontrei meu amigo corinthiano. Conseguimos entrar depois de passar por vendedores de camisetas falsificadas, churrasco miau, cerveja superfaturada e revista dos coxinhas.
Lá dentro, depois de dar uma mijada, me deparei com a maior multidão da minha vida. Cerca de 25 mil pessoas. 99% delas, corinthianas. Fui pelejando, pelejando e consegui ficar no meio da Gaviões da Fiel. Emocionante. Mesmo com a atuação morninha do time, a torcida não se calava. O Corinthians chegou a fazer um gol, que foi anulado pelo juiz. Nem é preciso dizer que os ouvidos da mãe do dito cujo ficaram quentes. Aprendi uns 8 gritos diferentes. Durante toda a partida a Fiel empurrou o Timão. Cada lance na área do Cruzeiro levava os alvinegros a ovacionar o time de maneira fanática. Nem mesmo o gol dos azuis fez a maior organizada do país diminuir o ritmo.
Eu não sei o que acontece, mas acho que atraio maconha. Todo mundo já viu ou ficou perto de um desses seres fascinantes que acendem um baseado em multidões. Mas no meu caso, é sempre o infeliz do lado ou da frente. Foi assim na Virada Cultural. Não foi diferente no Pacaembu. Sem aquele papo hipócrita de "sou careta, drogas bah". Mas no meio de um povaréu é tenso ter que lidar com o cheiro de merda. O garoto passou o primeiro tempo inteiro enrolando o bag com precisão cirúrgica. Acendeu no intervalo. E espalhou o embriagante odor na atmosfera carregada do estádio. Na verdade, suponho que não possa reclamar, já que a fumaça do meu cigarro também deve ser um saco pra quem não fuma. =/
O segundo tempo foi repleto de oportunidades de gol. Todas devidamente disperdiçadas. Fiz minha parte. Não parei de berrar um minuto. Mas o fato é que os jogadores tão pouco se fodendo e não vão disputar com vontade um campeonato que não mais oferece chances de título. Mas adorei a experiência. Não tava no estádio pra ver Ronaldo. Até porque, na arquibancada a visão não é das mais privilegiadas. Passei todo esse perrengue pra sentir a vibração de uma torcida que nunca pára de lutar. Tenho orgulho de fazer parte desse bando de loucos. E nem ligo se você acha piegas. No final, foi um dia perdido pro Corinthians, mas um dia ganho pra mim. ;)





